MOSTRA DE CINEMA E DIREITOS HUMANOS SISTEMA PRISIONAL FEMININO DE JOINVILLE SC

Texto de Samira Sinara.

A proposta da Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Presídio Regional feminino de Joinville SC visa incentivar e ter acesso a linguagem do audiovisual como fomento e propagação da  produção de filmes nacionais, estas são inseridos na sua pluralidade e diversidade de contextos sociais, políticos e culturais do território brasileiro. A Mostra alcançou 50 mulheres com objetivo de oportunizar a ida ao cinema durante quatro dias, que ao completar a carga horária acima de doze horas contempla na remição de pena. As mulheres que se encontram em alta vulnerabilidade social, com baixa escolaridade permite nesta ação cultural, a melhora da alfabetização, pois sabemos que a realidade das estatísticas brasileira em relação à violência social é presente.

Olhar a si e ao outro com novos sentidos e pensamentos foi a proposta da Mostra de Cinema através de exibição de 13 filmes em cinco dias corridos, que aconteceu entre os dias 15/07/2025 a 18/07/2025.  Após esse mergulho de imagens, sons e realidades diversas de conteúdo visual aconteceram as ‘Provocações Pedagógicas’ como ação que auxiliasse no debate crítico sobre os temas e conteúdos abordados – natureza e a importância da demarcação das terras indígena/quilombola, memórias e saberes como forma de produção cultural, o preconceito social e bullyng, o fim do uso de agrotóxicos, a realização de sonhos e esperança, …  as rodas de conversas com as mulheres presentes e de forma participativa trouxe na vivência cultural uma leitura que abrangesse através de personagens, situações, lugares vividos, narrativas uma forma de ver e sentir o mundo além das grades.

A mesa convidada das ‘Provocações Pedagógicas’ foram integrantes do Conselho Carcerário de Joinville (CCJ), com Ana Júlia Vieira, psicóloga (CRP 12/28337) e ativista social e a Samira Sinara – atriz, professora e produtora cultural com experiência no universo de artes em prisões desde 2011, através de projetos culturais contemplados que visam a pesquisa investigativa, a formação pedagógica e a produção de espetáculos performativos por meio da VAI! Coletivo. A unidade prisional também convidou o cineasta Juliano Lueders da Futuro Coletivo por ter tido experiência com as alunas reeducandas ao ter executado o projeto Histórias Não Contadas: curso de roteiro com mulheres do PFJ (Edital Lei Paulo Gustavo/Audiovisual 2023). Desse modo, os encontros também reconectaram as alunas reeducandas na prática do ensino- aprendizagem dos termos técnicos e conceituais da linguagem audiovisual já apreendidos, tais como: diferença entre documentário e ficção, elementos visuais- textura, movimento, cor,-  gênero (drama, animação, romence, fastástico,…), edição, sendo esses discutidos amplamente com o público presente.

Esse projeto foi realizado a nível nacional, apenas duas instituições de Santa Catarina receberam a Mostra por interesse da administração prisional responsável pela produção do evento, que foram o Presídio Regional Feminino de Joinville e o Presídio Regional Masculino de Jaraguá do Sul. Assim, a Mostra de Cinema e Direitos Humanos realizado pela Organização dos Estados Iberoamericanos em parceria com a CNJ, MJSC, MDHC, SENAPPEN integrou também a realização da Meta 2 do Pena Justa de SC permitindo:

  • conhecer formas de produção do cinema brasileiro de diferentes diretores/as e produtores culturais possibilitando entender a pluralidade do território nacional do nosso país,
  • proporcionar a abordagem em temas específicos dos filmes com a Cultura DEF, ou seja,  filmes com protagonismo e histórias de pessoas com deficiências;
  • praticar do que vem a ser a Cultura do Acesso através do uso de políticas públicas em editais focados para espaços de alta vulnerabilidade que são as instâncias do sistema prisional;
  • refletir sobre o papel da obra de arte/audiovisual na sociedade;
  • integrar a Mostra de Cinema e Direitos Humanos como olhar para despertar potencialidades e valores humanos como autoestima, autonomia, senso de coletividade e a contextualização política sócio para reconstrução de cidadania, que por meio da vivência e experiência cultural são suportes para capacitação e reinserção na sociedade brasileira contemporânea.

O Presídio Regional Feminino de Joinville compartilha conosco alguns registros destes momentos e desejando que seja, o começo de uma nova e segunda edição em 2026.